{"id":10896,"date":"2020-07-07T11:27:52","date_gmt":"2020-07-07T14:27:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/?p=10896"},"modified":"2020-07-15T15:12:21","modified_gmt":"2020-07-15T18:12:21","slug":"captura-de-fuel-dump-do-foguete-chines-long-march-3b","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/?p=10896","title":{"rendered":"Captura de &#8220;Fuel Dump&#8221; do foguete chin\u00eas Long March 3B"},"content":{"rendered":"\n<h6 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>Vin\u00edcius Ceccon &#8211; Agrimensura\/GEAstro, UTFPR-PB<\/strong><br>Tina Andreolla &#8211; DAFIS\/GEAstro, UTFPR-PB<br>Marcelo Zurita &#8211; BRAMON<br>Luzardo J\u00fanior &#8211; GEDAL<br>Renato Cassio Partronieri &#8211; BRAMON\/Astrocan<br>Miguel Fernando Moreno &#8211; GEDAL\/MCTL-UEL<\/h6>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Por vezes, quando dedicamos nossa aten\u00e7\u00e3o ao c\u00e9u noturno, observando suas estrelas, planetas e efem\u00e9rides, ocorre-nos sentimentos de contempla\u00e7\u00e3o e descoberta. Nestas noites, podemos nos deparar com objetos intrigantes, muitas vezes meteoros, e mais raramente OVNIs (Objetos Voadores N\u00e3o-Identificados) com apar\u00eancia e movimento incomuns. Na noite de 22 de junho de 2020, enquanto fazia astrofotografia, me deparei com tal situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na astrofotografia, utilizamo-nos de diversos equipamentos, como tel\u00e9scopios, lentes, c\u00e2meras, trip\u00e9s e montagens, para capturar cen\u00e1rios do c\u00e9u noturno. Nesta noite, eu utilizava uma montagem equatorial com motoriza\u00e7\u00e3o no eixo de AR (Ascens\u00e3o Reta), e uma DSLR (Canon Rebel SL2) com uma lente 18\/55mm f\/4.0-5.6. A Figura 1 apresenta o equipamento utilizado para as capturas.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Montagem-Equatorial-1024x576.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption>Figura 1: Equipamento utilizado. Fonte: Autoria pr\u00f3pria.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Entre as 18:00h e as 23:30h, na regi\u00e3o rural do munic\u00edpio de Ver\u00ea\/PR, eu imageava uma regi\u00e3o pr\u00f3xima ao plano da Via-L\u00e1ctea chamada de Complexo de Nuvens Rho Ophiuci, que envolve a estrela gigante Antares. Para esta foto, obti aproximadamente 100 fotos de longa exposi\u00e7\u00e3o (90s cada fotograma), combinando-as para formar uma \u00fanica imagem, divulgada na Figura 2.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Antares-1024x680.png\" alt=\"\"\/><figcaption>Figura 2: Aglomerado de Nuvens Rho Ophiuci. Fonte: Autoria pr\u00f3pria.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s terminar essa longa sess\u00e3o de fotografias, eu estava prestes a guardar meu equipamento quando notei um objeto pouco luminoso e relativamente grande ao Oeste, na dire\u00e7\u00e3o do p\u00f4r do Sol. Como conhecia tal regi\u00e3o do c\u00e9u, que faz parte da Constela\u00e7\u00e3o de Corvus, eu sabia que n\u00e3o se tratava de um objeto comum. Com pouca bateria restante em minha c\u00e2mera, resolvi imagear esse objeto.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Primeira-imagem-Geastro-1024x683.png\" alt=\"\"\/><figcaption>Figura 3: Primeira imagem do objeto desconhecido. Fonte: Autoria pr\u00f3pria.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s visualizar essa imagem, fiquei extremamente curioso com a natureza desse objeto. Antes que a bateria da c\u00e2mera acabasse, consegui obter duas s\u00e9ries de imagens: 10 imagens de 10s cada, em 18mm de dist\u00e2ncia focal; e 10 imagens de 6s cada, em 55mm (mais aproximada).<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure><iframe src=\"https:\/\/giphy.com\/embed\/S9bi5sjOMGcD7K1tGn\" width=\"480\" height=\"380\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Anima\u00e7\u00e3o 1: Combina\u00e7\u00e3o das 10 imagens sequenciais obtidas em 55mm. Fonte: Autoria pr\u00f3pria, via GIPHY.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Depois de guardar meu equipamento, realizei uma an\u00e1lise das coordenadas e do movimento desse objeto, at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido. Primeiramente, realizei o que se chama de <em>image solving<\/em>, ou resolu\u00e7\u00e3o da imagem, em que um software identifica o padr\u00e3o das estrelas e outros objetos encontrados na imagem, para ent\u00e3o anotar as suas posi\u00e7\u00f5es. O produto dessa identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 exposto na Figura 4.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Imagem-anotada-Geastro-1024x852.png\" alt=\"\"\/><figcaption>\u00a0 Figura 4: Imagem com posi\u00e7\u00f5es anotadas. Fonte: Autoria pr\u00f3pria.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A partir da Figura 4, pude calcular, por meio de estrelas pr\u00f3ximas, as coordenadas celestes (Ascens\u00e3o Reta e Declina\u00e7\u00e3o) do objeto, assim como sua velocidade angular no decorrer das duas s\u00e9ries de imagens. Esses resultados s\u00e3o apresentados na Tabela 1.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Tabela-coordenadas-1024x350.png\" alt=\"\"\/><figcaption>\u00a0 Tabela 1: Varia\u00e7\u00e3o das coordenadas celestes nas imagens. Fonte: Autoria pr\u00f3pria.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Expresso em graus, o deslocamento angular durante os 03 minutos e 48.60 segundos de observa\u00e7\u00e3o foi de, aproximadamente, 8.3&nbsp;\u00b0 em Ascens\u00e3o Reta, e 0.6&nbsp;\u00b0 em Declina\u00e7\u00e3o. Dessa forma, a velocidade angular calculada para esse objeto foi de 0.00365&nbsp;\u00b0\/s, ou 2.19 arcmin\/s. Como utilizaram-se coordenadas celestes, o movimento aparente devido \u00e0 rota\u00e7\u00e3o terrestre n\u00e3o interfere nesse c\u00e1lculo.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, foram diversas as caracter\u00edsticas incomuns desse objeto. Sua velocidade angular era relativamente alta, e seu tamanho angular era mais de duas vezes o tamanho da Lua Cheia, o que \u00e9 raro de se observar em efem\u00e9rides. Tamb\u00e9m, como era vis\u00edvel a olho nu, caracteriza-se como mais luminoso que o normal. O mais marcante, entretanto, era que a dire\u00e7\u00e3o da \u201ccauda\u201d do objeto apontava para a mesma dire\u00e7\u00e3o que o seu movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s compartilhar as imagens com o GEAstro, grupo de Astronomia da UTFPR \u2013 C\u00e2mpus Pato branco, a professora Tina Andreolla, que coordena as atividades do grupo, contatou diversos colegas da \u00e1rea para obter mais informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Utilizando-se das coordenadas calculadas da imagem, e do aux\u00edlio de diversos colaboradores da \u00e1rea, como integrantes do GEDAL (Grupo de Estudo e Divulga\u00e7\u00e3o de Astronomia de Londrina), da BRAMON (<em>Brazilian Meteor Observation Network<\/em>, ou Rede Brasileira de Observa\u00e7\u00e3o de Meteoros) e de Michael Thompson, especialista em Din\u00e2mica Orbital e Astron\u00e1utica da Universidade de Purdue nos Estados Unidos, descobrimos que o objeto era relacionado ao foguete Longa March 3B, foguete chin\u00eas que levava o \u00faltimo sat\u00e9lite artificial da constela\u00e7\u00e3o BeiDou, que fornecer\u00e1 servi\u00e7os mundiais de GNSS.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrutura observada nas imagens \u00e9 resultante de uma pr\u00e1tica chamada Fu<em>el Dump<\/em>, ou alijamento de combust\u00edvel, na qual um dos est\u00e1gios do foguete libera o combust\u00edvel l\u00edquido remanescente, evitando poss\u00edveis acidentes ou explos\u00f5es em \u00f3rbita.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vin\u00edcius Ceccon &#8211; Agrimensura\/GEAstro, UTFPR-PBTina Andreolla &#8211; DAFIS\/GEAstro, UTFPR-PBMarcelo Zurita &#8211; BRAMONLuzardo J\u00fanior &#8211; GEDALRenato Cassio Partronieri &#8211; BRAMON\/AstrocanMiguel Fernando Moreno &#8211; GEDAL\/MCTL-UEL Por vezes, quando dedicamos nossa aten\u00e7\u00e3o ao c\u00e9u noturno, observando suas estrelas, planetas e efem\u00e9rides, ocorre-nos sentimentos de contempla\u00e7\u00e3o e descoberta. Nestas noites, podemos nos deparar com objetos intrigantes, muitas vezes meteoros, e mais raramente OVNIs (Objetos Voadores N\u00e3o-Identificados) com apar\u00eancia e movimento incomuns. Na noite de 22 de junho de 2020, enquanto fazia astrofotografia, me deparei com tal situa\u00e7\u00e3o. Na astrofotografia, utilizamo-nos de diversos equipamentos, como tel\u00e9scopios, lentes, c\u00e2meras, trip\u00e9s e montagens, para capturar cen\u00e1rios do c\u00e9u noturno. Nesta noite, eu utilizava uma montagem equatorial com motoriza\u00e7\u00e3o no eixo de AR (Ascens\u00e3o Reta), e uma DSLR (Canon Rebel SL2) com uma lente 18\/55mm f\/4.0-5.6. A Figura 1 apresenta o equipamento utilizado para as capturas. Entre as 18:00h e as 23:30h, na regi\u00e3o rural do munic\u00edpio de Ver\u00ea\/PR, eu imageava uma regi\u00e3o pr\u00f3xima ao plano da Via-L\u00e1ctea chamada de Complexo de Nuvens Rho Ophiuci, que envolve a estrela gigante Antares. 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Fonte: Autoria pr\u00f3pria, via GIPHY. Depois de guardar meu equipamento, realizei uma an\u00e1lise das coordenadas e do movimento desse objeto, at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido. Primeiramente, realizei o que se chama de image solving, ou resolu\u00e7\u00e3o da imagem, em que um software identifica o padr\u00e3o das estrelas e outros objetos encontrados na imagem, para ent\u00e3o anotar as suas posi\u00e7\u00f5es. O produto dessa identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 exposto na Figura 4. A partir da Figura 4, pude calcular, por meio de estrelas pr\u00f3ximas, as coordenadas celestes (Ascens\u00e3o Reta e Declina\u00e7\u00e3o) do objeto, assim como sua velocidade angular no decorrer das duas s\u00e9ries de imagens. Esses resultados s\u00e3o apresentados na Tabela 1. Expresso em graus, o deslocamento angular durante os 03 minutos e 48.60 segundos de observa\u00e7\u00e3o foi de, aproximadamente, 8.3&nbsp;\u00b0 em Ascens\u00e3o Reta, e 0.6&nbsp;\u00b0 em Declina\u00e7\u00e3o. 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Fonte: Autoria pr\u00f3pria, via GIPHY. Depois de guardar meu equipamento, realizei uma an\u00e1lise das coordenadas e do movimento desse objeto, at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido. Primeiramente, realizei o que se chama de image solving, ou resolu\u00e7\u00e3o da imagem, em que um software identifica o padr\u00e3o das estrelas e outros objetos encontrados na imagem, para ent\u00e3o anotar as suas posi\u00e7\u00f5es. O produto dessa identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 exposto na Figura 4. A partir da Figura 4, pude calcular, por meio de estrelas pr\u00f3ximas, as coordenadas celestes (Ascens\u00e3o Reta e Declina\u00e7\u00e3o) do objeto, assim como sua velocidade angular no decorrer das duas s\u00e9ries de imagens. Esses resultados s\u00e3o apresentados na Tabela 1. Expresso em graus, o deslocamento angular durante os 03 minutos e 48.60 segundos de observa\u00e7\u00e3o foi de, aproximadamente, 8.3&nbsp;\u00b0 em Ascens\u00e3o Reta, e 0.6&nbsp;\u00b0 em Declina\u00e7\u00e3o. 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Utilizando-se das coordenadas calculadas da imagem, e do aux\u00edlio de diversos colaboradores da \u00e1rea, como integrantes do GEDAL (Grupo de Estudo e Divulga\u00e7\u00e3o de Astronomia de Londrina), da BRAMON (Brazilian Meteor Observation Network, ou Rede Brasileira de Observa\u00e7\u00e3o de Meteoros) e de Michael Thompson, especialista em Din\u00e2mica Orbital e Astron\u00e1utica da Universidade de Purdue nos Estados Unidos, descobrimos que o objeto era relacionado ao foguete Longa March 3B, foguete chin\u00eas que levava o \u00faltimo sat\u00e9lite artificial da constela\u00e7\u00e3o BeiDou, que fornecer\u00e1 servi\u00e7os mundiais de GNSS. A estrutura observada nas imagens \u00e9 resultante de uma pr\u00e1tica chamada Fuel Dump, ou alijamento de combust\u00edvel, na qual um dos est\u00e1gios do foguete libera o combust\u00edvel l\u00edquido remanescente, evitando poss\u00edveis acidentes ou explos\u00f5es em \u00f3rbita.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/?p=10896\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"GEAstro\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2020-07-07T14:27:52+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2020-07-15T18:12:21+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/GIF_18mm_crop-1024x810.gif\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1024\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"810\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/gif\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"GEAstro\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"GEAstro\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"4 minutos\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label3\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data3\" content=\"GEAstro\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/?p=10896\",\"url\":\"https:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/?p=10896\",\"name\":\"Captura de \\\"Fuel Dump\\\" do foguete chin\u00eas Long March 3B - GEAstro\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/?p=10896#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/?p=10896#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/GIF_18mm_crop.gif\",\"datePublished\":\"2020-07-07T14:27:52+00:00\",\"dateModified\":\"2020-07-15T18:12:21+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/#\/schema\/person\/60dd612ad51bfe402cefe79344d73c59\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/?p=10896#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/?p=10896\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/?p=10896#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/GIF_18mm_crop.gif\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/GIF_18mm_crop.gif\",\"width\":1658,\"height\":1312,\"caption\":\"Anima\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie de 10 imagens em 18mm.\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\/?p=10896#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/www.pb.utfpr.edu.br\/geastro\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Captura de &#8220;Fuel Dump&#8221; 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Agrimensura\/GEAstro, UTFPR-PBTina Andreolla &#8211; DAFIS\/GEAstro, UTFPR-PBMarcelo Zurita &#8211; BRAMONLuzardo J\u00fanior &#8211; GEDALRenato Cassio Partronieri &#8211; BRAMON\/AstrocanMiguel Fernando Moreno &#8211; GEDAL\/MCTL-UEL Por vezes, quando dedicamos nossa aten\u00e7\u00e3o ao c\u00e9u noturno, observando suas estrelas, planetas e efem\u00e9rides, ocorre-nos sentimentos de contempla\u00e7\u00e3o e descoberta. Nestas noites, podemos nos deparar com objetos intrigantes, muitas vezes meteoros, e mais raramente OVNIs (Objetos Voadores N\u00e3o-Identificados) com apar\u00eancia e movimento incomuns. Na noite de 22 de junho de 2020, enquanto fazia astrofotografia, me deparei com tal situa\u00e7\u00e3o. Na astrofotografia, utilizamo-nos de diversos equipamentos, como tel\u00e9scopios, lentes, c\u00e2meras, trip\u00e9s e montagens, para capturar cen\u00e1rios do c\u00e9u noturno. Nesta noite, eu utilizava uma montagem equatorial com motoriza\u00e7\u00e3o no eixo de AR (Ascens\u00e3o Reta), e uma DSLR (Canon Rebel SL2) com uma lente 18\/55mm f\/4.0-5.6. A Figura 1 apresenta o equipamento utilizado para as capturas. Entre as 18:00h e as 23:30h, na regi\u00e3o rural do munic\u00edpio de Ver\u00ea\/PR, eu imageava uma regi\u00e3o pr\u00f3xima ao plano da Via-L\u00e1ctea chamada de Complexo de Nuvens Rho Ophiuci, que envolve a estrela gigante Antares. Para esta foto, obti aproximadamente 100 fotos de longa exposi\u00e7\u00e3o (90s cada fotograma), combinando-as para formar uma \u00fanica imagem, divulgada na Figura 2. Ap\u00f3s terminar essa longa sess\u00e3o de fotografias, eu estava prestes a guardar meu equipamento quando notei um objeto pouco luminoso e relativamente grande ao Oeste, na dire\u00e7\u00e3o do p\u00f4r do Sol. Como conhecia tal regi\u00e3o do c\u00e9u, que faz parte da Constela\u00e7\u00e3o de Corvus, eu sabia que n\u00e3o se tratava de um objeto comum. Com pouca bateria restante em minha c\u00e2mera, resolvi imagear esse objeto. Ap\u00f3s visualizar essa imagem, fiquei extremamente curioso com a natureza desse objeto. Antes que a bateria da c\u00e2mera acabasse, consegui obter duas s\u00e9ries de imagens: 10 imagens de 10s cada, em 18mm de dist\u00e2ncia focal; e 10 imagens de 6s cada, em 55mm (mais aproximada). Anima\u00e7\u00e3o 1: Combina\u00e7\u00e3o das 10 imagens sequenciais obtidas em 55mm. Fonte: Autoria pr\u00f3pria, via GIPHY. Depois de guardar meu equipamento, realizei uma an\u00e1lise das coordenadas e do movimento desse objeto, at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido. Primeiramente, realizei o que se chama de image solving, ou resolu\u00e7\u00e3o da imagem, em que um software identifica o padr\u00e3o das estrelas e outros objetos encontrados na imagem, para ent\u00e3o anotar as suas posi\u00e7\u00f5es. O produto dessa identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 exposto na Figura 4. A partir da Figura 4, pude calcular, por meio de estrelas pr\u00f3ximas, as coordenadas celestes (Ascens\u00e3o Reta e Declina\u00e7\u00e3o) do objeto, assim como sua velocidade angular no decorrer das duas s\u00e9ries de imagens. Esses resultados s\u00e3o apresentados na Tabela 1. Expresso em graus, o deslocamento angular durante os 03 minutos e 48.60 segundos de observa\u00e7\u00e3o foi de, aproximadamente, 8.3&nbsp;\u00b0 em Ascens\u00e3o Reta, e 0.6&nbsp;\u00b0 em Declina\u00e7\u00e3o. Dessa forma, a velocidade angular calculada para esse objeto foi de 0.00365&nbsp;\u00b0\/s, ou 2.19 arcmin\/s. Como utilizaram-se coordenadas celestes, o movimento aparente devido \u00e0 rota\u00e7\u00e3o terrestre n\u00e3o interfere nesse c\u00e1lculo. Portanto, foram diversas as caracter\u00edsticas incomuns desse objeto. Sua velocidade angular era relativamente alta, e seu tamanho angular era mais de duas vezes o tamanho da Lua Cheia, o que \u00e9 raro de se observar em efem\u00e9rides. Tamb\u00e9m, como era vis\u00edvel a olho nu, caracteriza-se como mais luminoso que o normal. O mais marcante, entretanto, era que a dire\u00e7\u00e3o da \u201ccauda\u201d do objeto apontava para a mesma dire\u00e7\u00e3o que o seu movimento. Ap\u00f3s compartilhar as imagens com o GEAstro, grupo de Astronomia da UTFPR \u2013 C\u00e2mpus Pato branco, a professora Tina Andreolla, que coordena as atividades do grupo, contatou diversos colegas da \u00e1rea para obter mais informa\u00e7\u00f5es. 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